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Terras do Xisto
“Apontamentos de viajante”

Rumo ao Souto da Casa, aqui nesta avenida de vidoeiros. O viajante toma alturas ao tempo e pensa onde almoçar. Leva consigo o poema de Herculano Rebordão, poeta do Souto da Casa, ele como ninguém, cantou a ribeira da sua terra.
Vai-me saber bem este poema quando a estrada serpentear a ribeira e pena é que não a possa acompanhar até à foz, em Fernandelho.

Agora ainda esta recta antes da subida para a terra dos bombos, esta bela avenida cercada de vidoeiros, legendados com desenhos de rara beleza, notas de namoro e outros recados, deixados aqui na mimosa casca das pobres árvores, esbeltas como não há igual. A meio da recta à direita para quem aprecia arqueologia industrial ali tem um forno de telha artesanal de três fornalhas, no meio dos pinhais sem nenhuma indicação. Queria falar de outras coisas, digo adeus à ribeira lanço o olhar ao vale mais bonito da Gardunha, fervilha de histórias este vale da grande romaria da Senhora da Serra, Santa Luzia, do Carvalhal do Souto da Casa, sempre a pedir-nos meças.
Lavacolhos



Lavacolhos irmanada com o cabeço da Argemela, lá ao fundo. Ainda se nota a cintura das muralhas do castro que urge defender!
Uma das lendas da Argemela
Das referências que encontramos sobre a Argemela destacamos também: (O Domingo Ilustrado) de 1898.
A partir da freguesia do Barco:
Fica nos limites desta freguesia o pico do Argemela, que assistiu e dela guarda memória, à homérica luta entre os lusitanos capitaneados pelo patriota pegureiro dos Hermínios, Viriato, e as hostes romanas. O Argemela defronte com a povoação, onde está a sede da freguesia, da qual o separa o Zêzere, tem a altitude de mil metros, acima do nível do rio, é áspero de subir por ser em forma do pico ou cónica. A meio da encosta para a parte superior encontra-se uma série de três muros, a cerca de distancia uns dos outros de cinquenta metros; hoje estão arruinados pelo vandalismo ignorante dos vizinhos, que deles têm arrancado pedra para reparos nas habitações, destruindo assim um monumento arqueológico de valor. Esses muros davam a volta ao monte e devem ter sido, no seu tempo, boa obra de defesa auxiliados, pela aspereza do monte, que é muito íngreme. De que esta construção é obra dos romanos não há dúvida, porque no cimo do Argemela vêem-se as ruínas de um castro ou acampamento, dos que usava aquele povo. Diz a tradição que foi mandado fazer por um procônsul que se viu apertado pelos lusitanos; está também arruinado e pelo mesmo motivo como já dissemos corre perigo de desaparecer. É poética a lenda de que deriva o nome deste lugar. Uma virgem lusitana, que na vizinha povoação residia, tinha casamento ajustado com um dos chefes defensores da pátria.
Outros etimologistas, menos dados a lirismos, dizem que o nome é corrupção da palavra árabe Aljobeila, que significa (pequeno monte).
É custosa a subida ao pico do Argemela, mas o viajante que o atinge goza de lá magnifico espectáculo.
O viajante de hoje não repara no desfasamento das cotas de altitude que o autor da época fez. Mas sente que por todos os tempos os sítios tocam os sentimentos dos seres humanos. Deveríamos fazer da defesa deste lugar um hino pela nossa história lendária. Vamos troca-lo (desfeito em pó) onde tudo regressará como filhos da terra perdendo a forma e a honra do Argemela.
Eram de Lavacolhos os capitães de ordenanças: Manuel Antunes Dâmaso, Manuel Fernandes Gravito e José Fernandes Gravito. 1768/1807.
Silvares

Silvares
Quantos vales
Cresceu numa orelhita do rio. Ficaram os vales, as margens
do rio e ribeiros para a agricultura. Hoje tudo mudou, mas ainda há
resistentes; construtores de belas e úteis hortas. Os milheirais estendem-se
ainda rio acima até ao Fernandelho, na foz da ribeira das Seis Maças, que
corre da Gardunha. Quadrícula de lodeiros; ora milho, ora feijão, ora meloais,
ora melancias colhidas pela Santa Luzia. Enquanto foi preciso sustento, os
vales eram hortas, mansas réplicas tratadas e vistas como jardins. Ainda se
podem contemplar, regalo aos olhos delícia o paladar. Marca de ternura que é
mais do que um simples amanho da terra. Na outra margem, os moledos do Ourondo,
com vestígios das muitas explorações mineiras que os romanos nos deixaram.
Quantos vales lhe dão nome… nesta desordem aparente. Vê-se o casario mais
recente plantado nos vales e colinas, ou debruçado sobre o rio. Esta desordem
não espelha individualismo da sua gente, mas, antes, a apetência para a
liberdade que experimentam pelo mundo na busca de melhor sorte, sem nunca
perder de vista o regresso.

Vale do Zêzere, manancial de culturas ainda por
conhecer. Silvares é fronteira natural para quem sobe ou desce o rio. Nas
ladeiras as casas acotovelam-se debruçam-se para ver o rio, todas querem
chegar primeiro. Só uma veste de amarelo. E que pena que ali não haja mais
colorido! A rua do Outeiro, já foi a mais alta. A do Cabeço, a rua Torta, a
dos Passos, leva-nos ainda mais alto, a de Santo António, a caminho da mina.
Em sentido contrário as escolas, a Santa Luzia, a luz.
( Roteiro Turístico de Silvares)

No largo da igreja matriz a fonte convida.
"Cantiga da Rega"
Ouvia-se por todas as terras ribeirinhas e, em Silvares, faz parte dos desfiles etnográficos, organizados pelo seu rancho folclórico.

Esta magnifica igreja, merecia mais atenção dos urbanistas, durante anos foi ficando cercada pelas casas. Hoje sufocada sem espaço para se admirar, a mais bela igreja das terras do xisto. A sua torre e portados foram edificados com pedras do cabeço da Argemela. Esta pedra tem textura e cor fresca muito agradável ao olhar. Já dei por mim a deliciar-me, com os seus vitrais que mal recebem a luz solar. Imagina-la livre em campo aberto como já fora possivelmente.

Documento curioso de 1816
São Martinho
Era daqui a “Ti Emília do Correio”, diz: quem fez as contas, (o total percorrido por esta senhora será: de 420.000 km) transportando alegrias e tristezas nas cartas que carregara por estes montes e vales enquanto pôde andar, desde menina.
Barroca
Julga o viajante que a capela é de 1889 a julgar pelo ano em que a casa do Dr. Luís Gonzaga, foi edificada, a capela como se disse é de muito boa traça, a figura central do altar é uma pintura de grandes dimensões. A fazer lembrar as melhores escolas de pintura do pais, para figurar no altar o seu autor.
Em 1888 foi concedida licença aos carpinteiros para construir uma capela
dedicada a S. Roque, Em Lisboa como consta em José Cândido Correia, Catálogo
oficial
dos objectos enviados à Exposição Industrial Portuguesa em 1888.
São Roque, Nasceu em Montpellier, França.
Viveu na primeira metade do século XΙV.
O seu culto propagou-se rapidamente, a sua difusão ficou a dever-se à arte, de pintores e escultores como Rubens, Carracci, Tintoreto, Luís David. Em Portugal alguns pintores como José da Costa Negreiros, Pintou o retábulo é uma alegoria a S. Roque, para o altar da Capela da Ribeira das Naus, em Lisboa.
Normalmente surge representado com um cão, o seu amigo fiel. Que lhe trazia comida e lambia as feridas, enquanto se refugiou num bosque atingido pela peste.

Pintores representam também o nascimento de São Roque como o menino que nasceu santo. Com uma mancha no peito em forma de cruz. É essa a imagem que o Dr. Luís Gonzaga. Escolheu para o altar da sua belíssima capela na Barroca, edificada em 1889. A tela figura central do altar é de dimensões consideráveis 156X105 cm. Apresenta sinais visíveis de má fixação e quebra de nitidez.
Durante algum tempo as gentes da Barroca chamavam erradamente, a capela de São João. Há mesmo dentro da capela uma cabeça de S. João.
Para o senhor Augusto Barroqueiro, um dos entusiastas do rico património da sua terra, foi ele que nos abriu a porta da capela, doada ao povo da Barroca pela D. Natália, filha do Dr. Luís Gonzaga.
Vai deixar de ser capela mortuária como tem sido nos últimos anos, visto que as obras da nova casa mortuária estão quase concluídas. Chegou a altura de reparar a tela do altar, que irá ficar livre do fumo que as velas acesas durante os velórios tanto efeito nefasto causam à pintura de São Roque. Augusto Barroqueiro, assim como outros responsáveis da igreja pediram, mais que uma vez apoio às entidades competentes e até agora nada.
Há dias em que o viajante não se conforma: escreve e anda, como quem chora. Sabe onde param os bocados mais belos do altar Barroco que compunha a capela da Casa Grande. Decoram hoje um magnífico salão de gente amiga. Melhor seria observa-lo através desta vidraça. Jorge Listopad, da viagem que fizemos com ele ao Poço do Caldeirão, 2003, do Jornal de Letras esta pequena passagem da sua escrita. Refere-se ele à capela que estava em ruínas: ─ Estou aqui sentado nas pedras, esgotado pela marcha, calçado nos sapatos urbanos, entre silvas e calhaus, num descaminho em cima do Zêzere, aqui rio aventureiro, tudo não longe mas também não perto da Barroca com sua igreja barroca a perder o desenho e a alma.
Capela de São Romão.
A casa em frente ostenta na tosa a data de 1772 hoje da família Ferreira, foi esta casa berço de um dos mais ilustres filhos da Barroca. são conhecidos alguns letrados naturais da Barroca. Por essa altura: 1760 leccionava a 6 estudantes com licença interina como assistente Joseph Pedro, clérigo presbítero secular natural do Adurão. José Inácio Cardoso, nasceu a 31 de Julho de 1806, a ele se deve várias obras literárias e científicas, casou a primeira vez em Dornelas do Zêzere, seus pais descendiam das Portas do Souto e de Alpedrinha, onde a família tinha casa e mais tarde Inácio Cardoso, fixou residência e lá escreveu parte da sua obra. Participou também com Fabião, na guerrilha como Capitão da 5ª companhia de Silvares.
A casa grande foi propriedade da família de Fabião António Leitão, até ser adquirida pelo município do Fundão.
Fabião da Barroca um dos senhores
destas paragens, uma longa história para contar. Já o seu pai proprietário
abastado, mui económico, e
bom administrador, pelo que juntou boa soma de dinheiro, foi vítima de um
memorável roubo.
“Memórias da vila de Oleiros”
Publicadas em 1881
Dom João Maria Pereira d’Amaral e Pimentel,
Bispo de Angra, natural desta vila.
Nos princípios de Outubro de 1838, ao serão, apresentou-se no Orvalho uma
quadrilha de ladrões a cavalo. Que consta serem 16 figurando ser força
publica, que vinha fazer uma diligência; e invadindo a casa do Fabião, que
vivia só com uma Criada, o deitaram num banco com um alguidar por baixo como
para lhe apararem o sangue, e começarão a dar-lhe facadas por sítios que não
fossem mortais; obrigando-o assim a declarar os lugares onde tinha o
dinheiro, e um dos ladrões colocou-se a seu lado, como defendendo-o e
procurando convence-lo que desse o dinheiro, porque pela vida se devia dar
tudo. Sete ou nove facadas lhe deram e deste modo ia ele declarando novo
sítio onde tinha dinheiro. A criada porem, que tinham prendido, pôde no meio
da desordem soltar-se e correu logo a uma água furtada, com grande risco de
vida gritar por socorro, os ladrões deram a diligência por concluída, depois
de terem juntado o dinheiro do Fabião. O deixaram crivado de facadas.
O ladrão que se tinha declarado protector e conselheiro, lhe fez presente na
despedida da caixa de rapé de prata do mesmo roubo. Do que se vê que iam
satisfeitos com o resultado da limpeza.
Foi facto acontecido no tempo que residia-mos em Oleiros, e visitamos pouco
tempo depois do acontecimento. O roubado ainda estava de cama.
Dava ele a entender que conhecia algum dos ladrões, mas nunca constou que os
nomeasse.
Ficou tão preocupado com o acontecimento que todas as pessoas dali em diante
se lhe figuravam ladrões. Constou que, indo pela estrada nova na Serra do
Zibreiro, e vendo vir um pobre passageiro desarmado, se lhe figurou um
ladrão, que aproximando-se dele atirara com dois cruzados novos para a
estrada, metendo esporas à cavalgadura, e gritando: ─ fica bem, fica bem;
adeus, adeus. Ficou pasmado o passageiro que não entendeu aquele
procedimento, com satisfação foi arrecadando o dinheiro abandonado.
Natural do Orvalho, filho de Fabião Francisco Leitão Guedelha, e de Ana Máxima Ribeiro.
"O senhor tenente-coronel Fabião António Leitão, fica nomeado comandante da força na margem direita do Tejo, e encarregado da defesa do mesmo. Colocará o senhor tenente-coronel toda a força pela forma seguinte:"
O documento é muito extenso, não cabe aqui colocar.

Figuras rupestres no poço do Caldeirão, na Barroca - Uma viagem
O espaço é sagrado: maravilha e perturba, afasta e fascina. Um rio de água,
uma cascata, um rio de pedras. Água e lajes de formas estranhas que o rio
afeiçoou, esculpiu. Olha a gárgula de catedral, o grito, o beijo, o
dinossauro, a velha, o gogo louco que se deixou ficar naquela torre, um
painel liso 1 ...
Malandrando, cobras de água serpenteiam nos seixos cálidos expostos a um sol
abrasador. Não há sombras no rio de pedra. Os pássaros gritam o calor, o
gorgolejar da cascata refresca. Sol a pique, no rio de pedras que as águas
ama(cia)ram.
O Criador, no incipit, disse: faça-se um rio de água e um rio de pedra. E o
rio de água e de pedra fez-se. Tem memórias: Esta é a marca onde o rio
chegou, no ano de...
A água move-se, às vezes rebela-se, solta-se das margens, enlouquecida.
Cobre as pedras, cria figuras, lava-as, purifica-as, cava poços,
caldeirões... enche de mistério espaços e gentes.
Em dias de tormenta, o homem treme:
- Santa Bárbara bendita, que no céu estás escrita...
As trovoadas, temor dos temores, ecoam nos montes; relâmpagos traçam
caminhos de luz, decapitam árvores, decepam caules...
- Senhora da Rocha: valei-nos!
No alto, na capelinha branca, lugar de devoção, protectora de horas
difíceis, a Senhora ouve as vozes de gentes que a veneram...
O Criador cansado de harmonia, um dia, em liberdade criadora seguiu o
fascínio do desejo, do fazer. Recusou os cânones e a ortodoxia. (Que artista
ousaria uma obra assim?) Temor e maravilha, atracção e repulsa, caos e
prazer misturam-se. Sem modelo, livre, livre, livre... criou o rio de água e
o rio de pedras. Deixou-os, assim, princípio de paraíso e de inferno, de luz
e de trevas... espaço de permanente deslumbramento...
Aquela pedra ressuma metal, em vermelho, os líquenes (pelas mãos de quem?)
desenham o que os olhos sabem ver.
À noite, adensa-se o mistério: a lua envaidece-se na água, aves nocturnas
agoiram o que há-de acontecer, os lobos uivam fomes e cios...
- Nossa Senhora da Rocha: socorrei-nos!

A Senhora quis a sua capelinha naquele
espaço. Elegeu-o entre todos. Ali apareceu, conta a memória de quem sabe,
numa rocha; ali quis ficar. Diz-se que, teimosamente, regressava ao local,
quando por afecto a queriam colocar mais próxima da aldeia, do seu povo.
Espaço sagrado, o da Senhora: do alto do Monte domina a rainha piedosa,
veladora dos que a veneram.
Que lugar é este?
Um dia, o homem parou e viu. Estupefacto, ouvido atento à loucura dos gritos
dos pássaros, à sinfonia das águas, escorrega aqui, pula para acolá, cai
além, levanta-se atónito, em bebedeira de cores e de sons, de formas,
aterrado, deslumbrado.
Que sentiu?
Uma luz claríssima riscou o céu, baixou ao Zêzere, ao rio de pedra, iluminou
os montes... Um estrondo nascido da terra, o pasmo, o pavor. Juntaram outros
homens e mulheres acudindo à voz dos deuses. Os cavalos relincharam pelos
montes. Velozes voavam no vento como se tivessem asas...
Um rio de água, um rio de pedras, o desnorte num centro, num umbigo de um
espaço...
Os montes ali protegem e amarfanham; a água corre, o homem em êxtase, de pé,
olhos escancarados, fascinado.
Lugar belo, sagrado, sonho de deuses percebeu-o e soube-o, desde sempre, o
homem que parou, viu e orou:
Terra nossa que dais o pão,
Sol bendito que fecundais a terra,
Água pura que saciais a sede,
Seja feita a Vossa Vontade.
Um dia, o homem pegou num sílex, escolheu a laje lisa virada ao monte mais
alto e registou uma mensagem, que milhares de anos depois, os olhos do
Diamantino, estupefactos, desvelaram:
- Olha um cavalo! Olha um cavalo! Dois: um maior, outro mais pequeno.
E os cavalos soltaram-se das pedras, andam pelos montes velozes, felizes...
E todos os anos, na Primavera, no rio de pedras, no rio de água junto ao
poço do Caldeirão se agradecia a fartura, se cumpriam promessas, se
suplicavam dias melhores. É a festa no local sagrado. Que os povos
celebraram, celebram ao longo de séculos. Em Maio que é o mês das flores, o
mês das tempestades, pelas encostas dos montes, ouvem-se romeiros e
romeiras:
Nossa Senhora da Rocha...
1 Se não acreditam, peçam as fotografias ao Diamantino e ao Belarmino.
MARIA ANTONIETA GARCIA
Gazeta do Interior
22 de Março de 2006
Alqueidão
Hoje a viagem já não se faz junto ao rio até ao tanque da Vargem. Esta fonte faz parte da memória das gentes destas aldeias ribeirinhas. Reconstruída em 1909 pelo proprietário da quinta António Rodrigues Fabião, a fonte e tanque de granito, servida com água de nascente fica na antiga vereda para o Alqueidão. Tem ainda a seu lado um majestoso Castanheiro-da-Índia, (Aesculus hippocastanum) que muito provavelmente foi ali plantado nesse ano de 1909.
O viajante não acredita em nada que a ciência não possa explicar! Mas o meu prezado amigo José Corceiro Mendes, deixou-nos no seu livro:
(A verdade e o Sonho)
Alguns apontamentos sobre as terras do xisto. O trecho que aqui transcrevo do seu livro, (Almas penadas.) Algo bizarro mas tanto ao gosto das aldeias ribeirinhas, com os seus mitos e lendas: Numa das muitas viagens que Couceiro, fez a Dornelas a casa do seu sogro João Ventura, uma figura que marcou nos anos 40/50 os povos do rio.
─ Era sábado quando cheguei à Barroca, o lusco-fusco caía sobre a povoação silenciosa. Da Barroca a Dornelas eram vinte minutos bem contados. Estava só. Quando me fiz ao caminho, a lua irrompeu dos pinhais e subiu ao céu como um disco de prata. Os pinheiros projectavam sombras fantásticas no bulício da aragem. Acendi um cigarro e fiz-me ao caminho em direcção à margem esquerda do rio. Fiz as descidas, as subidas e as curvas apertadas. Passei o tanque, e deixei a bica de água à esquerda de quem desce. O mocho cantou. As águas saltavam as margens do rio devido ás ultimas chuvadas. Lá ao fundo, o velho moinho desactivado semelhava um castelo feudal nas margens do Reno. Ao desfazer da curva, atirei uma pedra ao rio. A ladeira quase a pique permitiu-me, seguir a trajectória da pedra que caiu na corrente sem ruído. O marulhar das águas era o único som que cortava o silêncio daquela aragem inesquecível. De repente, um burro branco saltou dos penhascos da berma esquerda e estacou no meio do caminho enluarado. Encarou-me durante segundos que pareceram anos, alçou as patas, deu dois traques e saltou para a ribanceira escorregadia. Fiquei sem pinta de sangue. Um calafrio enorme percorreu todo o meu corpo da cabeça aos pés. Sete vezes mudei de cor. O coração tornou-se pequenino como um grão de arroz. Incrível mistério… movi um pedregulho e fi-lo rolar pela ribanceira. Caiu na água sem se ouvir. Apresei o passo num silêncio medonho. Passei a vinha de Brás pires, flecti à direita já perto da margem. Senti que alguém seguia no meu encalço como guarda-fiscal farejando a sombra do contrabandista que se escapa. Olhei para trás e não vi nada.
Uma sombra soprou-me ao ouvido. Tive vontade de correr mas não o fiz. Um som gelado segredou-me: ”Sou a alma de Diogo Lopes” Devo estar louco, pensei eu cá com os meus botões… A minha chegada ao local da portagem foi um alívio. Dei dois assobios para chamar os barqueiros acendi um cigarro iniciou a travessia na minha direcção. A meio do rio vejo o burro branco. Mediu-me com olhar de cólera e atirou-se ao rio desaparecendo no turbilhão das águas.
Repentinamente, um pintassilgo poisou-me no ombro e disse: “Sou a Alma Penada. Sei o segredo da vida e da morte. Dou um tesouro a quem me restitua a forma humana”. Antes de o barco atracar o pintassilgo bateu as asas e voou em direcção à lua.
Na sequência do que acabamos de ler, cheguei a casa com os cabelos em pé. Dei contas do acontecido, e logo me confirmaram que o mesmo acontecera a outras pessoas, também colhidas de surpresa. O mesmo me confirmou um dornelense que conheci no Fundão e que muito amou a terra e as gentes de Dornelas.
A princesa do Zêzere, Dornelas... ainda não é aldeia do xisto, quem não conhece a sua história? Talvez a aldeia que mais mereça o título.
Meu caro Corceiro, o tanque da Vargem ainda lá está agora de novo com a água correndo para o tanque de pedra talhada. O castanheiro-da-índia cada vez mais frondoso. A casa no velho caminho, tapada por outro castanheiro e silvas, assim, está o moinho também. Limparam o açude das Alagoas e o fragão, notável, ali no meio do rio impondo a sua lei. A falta de algum senso para preservar a nossa memória, a minha alma a penar como a do Lopes. Revoltada, e, atenta às mudanças que as terras do xisto apesar de tudo para ser justo, nos últimos anos se tem verificado.
Proba isso o despacho de Wellington, que é emitido no dia 20 de Setembro dia em que Lecor chega com as suas tropas ao Espinhal, seguindo mesmo até um percurso diferente daquele que o marechal recomenda.
Lieut. General Viscount Wellington, K.B., to Colonel Le Cor.
' Au Couvent de Lorvao, ce
20 Septembre, 1810.
10 heures du soir.
' MONSIEUR,
' Je viens de recevoir une lettre du Général Hill de la date d'hier, par
laquelle j'apprends que vous êtes arrivé hier au soir à Pedrogao Grande.
Aussitôt que vous recevrez cette lettre je vous prie de marcher sur Ponte da
Murcella et par la route et faisant les marches qui vous conviendront le
mieux. Faites moi savoir ce qu'elles seront. Je compte que vous ferez une
marche demain le 21 et que vous serez en arrière de la Serra da Murcella à
St. André de Poyares après demain le 22.
' J'ai l'honneur d'être, &c.; ' WELLINGTON

Entre o Alqueidão e Dornelas navegava a lendária barca de Dornelas.
Volto à estrada, como quem segue as pedras que o rio traz. Este serpentear até ao Alto da Feira, cruzamento para Bogas de Cima, o viajante não pára, há muita coisa para ver lá de cima no alto Penedo Barroco; miradouro da senhora da Peneda. Ai dá-se largas ao horizonte recordando histórias destes montes e vales que tanto tem para contar. Depois da cordilheira de pedras vira-se à direita (terra batida) é uma subida de respeito mas curta. Gosto de estacionar no primeiro patamar. Ali à distância de uma pedra o Penedo da Igreja. Adoro entrar na igreja. O viajante não sabe rezar. Levanta os olhos e vê o berço, de toda a sua família e o seu também. Entra na gruta natural e fica em silêncio…! quebrado pelo soar das águas do rio tão longe.
Conversa com o seu avô: Sei que estiveste aqui a olhar estas pedras, talvez enquanto chovia, ou escondido controlando os guardas que procuravam o teu tabaco, cultivado em canteiros secretos, que só nós conhecíamos, a avó julgava saber onde era! A tua Quinta do Barroco pereceu contigo, da casa só duas paredes teimam em ficar de pé. Os peixes do rio revoltaram-se e perderam o sabor. Os irós nunca mais voltaram. Dos Bufos Reais só lá estão restos dos ninhos, estão como a tua casa. Os passantes de outros tempos têm outros caminhos. Conto as tuas histórias aos amigos, mas: Sem provas não acreditam no tamanho e sabor das melancias da quinta de Adonares, nem sequer no sabor dos cachos da Barroca do Cavalo. Se hoje te digo isto sinto que amavas a natureza deixas-te com ela tudo o que tinhas. Agora ninguém, chama por ti! As garças e águias poisam por todo o lado. O Barbaças já não ladra e eu não tenho tempo de as pôr a voar.
Fazer o resto da viagem a pé gozando este espectáculo único nestas paragens. Aqui a natureza está em festa, todos os dias.
A Capelinha da Senhora da Peneda, virada a norte é de bom gosto. Pena é que a sua construção quase apagou vestígios de uma outra construção muito antiga, sem que tivesse sido documentada.

Para quem queira ver todo o vale do Zêzere deve subir junto da antena. Dornelas funde-se com o Alqueidão, o Carregal do Zêzere desafia-nos a uma visita, terra de muitas histórias. Ao centro da aldeia a sempre verde, belo exemplar de desenho e porte notável, esta magnólia foi classificada de interesse publico. (Diário da Republica nº 204 de 3/9/96). Com mais de quatrocentos anos fez parte com a velha casa do quintal talvez: o testemunho mais importante da pequena aldeia com uma história grande.
A Magnólia
(Luiza Neto Jorge)
A exaltação do mínimo,
E o magnífico relâmpago
Do acontecimento mestre
Restituem-me a forma
E o meu esplendor.
Um diminuto berço me recolhe
Onde a palavra se elide
Na matéria – na metáfora –
Necessária, e leve, a cada um
Onde se ecoa e resvala.
A magnólia,
O som que se desenvolve nela
Quando pronunciada,
E um exaltado aroma
Perdido na tempestade.
Um mínimo ente magnífico
Desfolhando relâmpagos
Sobre mim.
Aguentou a velha casa, até que os dinamizadores do novo progresso a
condenaram a dar lugar a uma residencial para a terceira idade. Que é assim
que hoje se prepara a vinda da quarta ou quinta quem sabe. Espero que pelo
menos a velha magnólia ali esteja para lhes contar a sua história. São dali
naturais algumas figuras que marcaram a região, como os capitães de
ordenanças: João de Proença Cardoso e Carvalho, Manuel Cardoso de Carvalho e
Manuel Dias de Carvalho. 1763/1765. Proprietários das melhores terras
ribeirinhas e dos maiores lagares de azeite, como o quase apagado da
história, património único no lugar do Pisão. Fez este lagar
parte de um estudo "Tecnologia Tradicional do Azeite em Portugal", do Prof.
Benjamim Pereira. Ainda tentou o viajante mover algumas entidades para a sua
salvação mas faltou-lhe às tantas a força, e confiança no êxito.
Deixou cair os braços com muita raiva. Dirigida ao chão nosso onde tudo irá
parar. Casou na capela do Carregal do Zêzere,
o 2º visconde de Tinalhas, a sua mãe, irmã do célebre Fabião António Leitão,
(Ver Barroca) figura que se
tornou conhecida em toda a Beira, durante as lutas liberais era natural do
Orvalho.
Tomás de Aquino Barriga da Silveira Castro e Câmara, nasceu em 10-1-1848 e faleceu em 4-1-1916, casou com a sua prima, em 3º grau, Maria José de Meireles Guedes Cabral, em 24-07-1868 na capela do Carregal, perante o Arcipreste da Pampilhosa da Serra, Padre Mathias Martins Simões. Ele com 19 anos, natural de Tinalhas, filho de José Coutinho Barriga da Silveira Castro Câmara, 1º Visconde de Tinalhas, Título criado por D. Luís I Rei de Portugal por decreto de 10-10-1870, e de Maria Guilhermina Ribeiro Leitão, ela de 15 anos, natural do Carregal, filha do Dr. Theodoro Cardoso Meireles Gramaxo, e de Dona Luíza Meireles Taborda de Magalhães. Deste casamento, um filho e três filhas, D. Estela, D. Saturnina e D. Guilhermina. Filho que foi o terceiro visconde de Tinalhas, José de Meireles Coutinho Barriga da Silveira Castro e Câmara Dr. Luís António de Magalhães Taborda, de Aldeia Nova do Cabo, aparentado com a família Meirelles. Deve-se a este ilustre político, por três vezes Presidente da Câmara do Fundão, a ligação Fundão, Barroca do Zêzere, depois da sua morte em 1880. Quando as pessoas dos lados do rio Carregal, e Barroca, passavam junto ao solar, em Aldeia Nova do Cabo, descobriam-se e paravam em silêncio! tal o respeito que lhes merecia a figura do Dr. Luís António de Magalhães Taborda. Chega aqui ao alto a força do rio, a toada do açude da Bate-cova, este Zêzere que rasga a nossa Beira. Dá-se conta da ribeira de Bogas, ela não sabe que o seu rio está perto, a garganta dos penedos de Janeiro de Baixo será testemunha do feliz encontro.

Foy (Maximilien-Sébastien), nascido em Ham 3 de Fevereiro de 1775.
O général Foy, morreu em Paris a 28 Novembro 1825. Figura notável passou toda a campanha em Portugal passou pelas terras da Beira mais que uma vez esteve entre outras: Alcaria, Castelejo, Enxabarda, Capinha, Fatela, Alpedrinha, Alcaide e Fundão. Cruzou estes caminhos das terras do xisto, como já se disse. Foi ferido na Estrada Nova falou dessa estrada na conferência que teve com Napoleão em 23 de Novembro de 1810. Depois da queda do império tornou-se uma figura da república francesa como notável deputado. As suas memórias: (Histoire de la Guerre de La Péninsule Sous Napoléon.) Foram concluídas com base nos seus apontamentos pela sua mulher que esteve em Portugal. O general deixou outros testemunhos importantes para o estudo da guerra peninsular, como por exemplo: os seus discursos na assembleia francesa, que também se encontram editados. O seu funeral foi na época, uma das maiores manifestações onde participaram 100 mil pessoas.
Daqui tudo se vê, o vale da ribeira estende-se até à Panegral por detrás dela a eira dos Três Termos, lugar mágico de lutas terríveis durante as invasões francesas, que se estenderam ao Cabeço Zibreiro, por toda a Estrada Nova. Estrada construída em 1801 fazia parte do plano de preparação para a guerra, elaborado também pelo Marquês de Alorna, que mais tarde combateu ao lado das tropas de Napoleão, morreu na Rússia. A estrada nova era da maior importância para a estratégia militar da época. Pois encurtava muito a distância do Fundão a Tomar e ainda com ligações às estradas de Castelo Branco, Vila Velha e Abrantes. A estrada traçada pelo cume dos montes servia ainda para apoiar o (Telegrafo de Sinais) que chegou a funcionar de Lisboa a Almeida.
Cada estação do telégrafo distava
entre si 15.000 metros funcionavam com uma ou duas pessoas, mas tinham de ser
montadas e abastecidas e defendidas. Dirigiu parte ou toda a sua construção,
uma das maiores figuras da Beira daquele tempo: José Pereira Pinto
Castelo-branco, (O mil diabos da Capinha) foi ajudante de campo do marque se
Alorna, integrou a legião portuguesa que Junot enviou para França. Isso
mereceu mais tarde a condenação à morte. Regressa a Portugal depois de alguns
anos no forte de S. Julião da Barra, é absolvido. Mais tarde participa na
guerra civil com os liberais.
O monte mais alto a sudoeste com os seus 1097 metros. Varrer com olhar desde
do alto da Maunça com os seus 1005, de norte para sul o Candal, Cigarrelho 901
e a Portela da Moura 957, na vertical do Descoberto. No sopé do Zibreiro, os
paisanos capitaneados pelo capitão Manuel Dias de Carvalho, descendente do
Carregal infligiram às tropas de Napoleão uma pesada derrota, onde perderam
quarenta homens.
Ver crónica: O General e a Água.
Foi este caminho destruído durante as invasões francesas pelas nossas forças como estratégia militar para que melhor se controla-se o vale do Zêzere.
Bogas do Meio
As gerações de hoje, não podem imaginar e não há muitos anos, um estaleiro de serradores numa qualquer aldeia do xisto, ai se abria madeira de troncos enormes, que era retalhada à medida da obra pretendida. O som dessas serras era música sinfónica que vibrava os músculos dos serradores que num trabalho duro como o dos escravos, mantinham aquele vaivém interminável sem cansaço, sem reclamação. Esta dureza da vida criava nas gentes desse tempo uma têmpera. Na luta diária com as coisas da natureza, uma ligação titânica, e de respeito com a floresta. ─ (Posso estar a abrir as tábuas do meu caixão. Sina de Serrador)
Bogas de Cima, guarda ainda muita história.
A quem pertenceu esta janela, decorada com parte das armas de bispo?
Nos últimos tempos tornou-se esta aldeia no centro das atenções, montou aqui sede a associação Pinus Verde, depois de recuperar a velha casa redonda. A sua direcção tudo tem feito para colocar as Aldeias do Xisto, no lugar que bem merecem. O primeiro combate parece-me ganho, falta agora consolidar e manter vivas as iniciativas.
O viajante tem referências do Padre Tomás Ramalhoso, e um seu irmão. Que durante a Primeira Grande Guerra, trocaram correspondência, endereçada para Bogas de Cima.


Janeiro de Baixo
Situado na margem direita do rio
Zêzere, hoje faz parte do concelho da Pampilhosa da Serra, distrito de
Coimbra.
Aldeia edificada numa orelhita do rio, que lhe confere uma situação muito
bela e algo nostálgica. Cresceu a aldeia em cima de uma conheira da antiga
mineralização de romanos e árabes. Mais em baixo, a garganta apertada pelos
cabeços Mosqueiro e Raposo, parece querer segurar as águas do rio para uma
despedida mais lenta. Hoje como dantes todos os caminhos vêm dar a Janeiro
de Baixo, terra de uma história rica. Para quem chega surge à vista a torre
branca da igreja matriz, balizando todo o casario tradicional. A soada do
Zêzere um rumor confuso e mítico, mistura-se com vestígios milenares da sua
história e lendas. Lenda da Cabeça Murada, do Cabeço Mosqueiro, a dos Irmãos
Januários, que irmanou as duas aldeias vizinhas Janeiro de Cima, e de Baixo.
A do Penedo-Paio. A do Poço do Pego, Tem Janeiro de Baixo nos últimos tempos
chamado a si alguma atracão turística, deve-se sobre tudo à sua arquitectura
típica. Faz parte das aldeias do xisto.
Identidade a aldeia é definida ainda pelo seu património natural, potentado
pelo Rio Zêzere, cujas águas cristalinas marcaram o modos de vida da
população.
As paisagens bucólicas das margens, os dourados areais e as construções
empedradas dos fortes e açudes, moinhos e lagares preenchem um quadro de
sonho, enriquecido por muitos outros pontos que fazem desabrochar momentos
de nostalgia para quem os visita. A seus pés o Zêzere, nas suas margens
ainda se pode apreciar a famosa barca serrana que outrora servia também para
ajudar no transporte das madeiras para o porto de Lisboa, por exemplo:
aquando do terramoto foram praticamente dizimadas as matas de carvalhos da
região da Serra da Estrela, eram levadas pelo rio até ao Tejo. Janeiro de
Baixo é ladeado por uma paisagem surpreendente, completada pelos
afloramentos de xisto que começam nos penedos de Fajão, sobem ao alto do
Vale Derradeiro, mergulham para o Vale Grande apertando o maciço num abraço
com a belíssima Barragem de Santa Luzia, complexo hidrográfico dos mais bem
conseguidos na Europa. Desce depois para o Cabeço Raposo, onde o rio passa
em cachão numa das mais belas cachoeiras de Portugal, e sobe, sobe para ao
Cabeço Mosqueiro, de onde tudo se vê. Cabeça Murada, antes de subir para o
coruto do Marmoural, descansa na senhora da confiança obra do digníssimo
Padre Tomás. Ouve-se já a soada da cascata de água d’Alta, fora da época
estival a água cai de uma altura de 25 metros, ai sim o viajante pode
sonhar, e voltar quando quiser. A cordilheira xistosa ora mergulha nas
profundezas da terra, ora se levanta graciosa, uma estátua do tempo e segue
o seu caminho como quem vai para Espanha. Em tempos dai, vinham as forças do
mal trazer fome e guerra. Os últimos foram os franceses, certamente que as
milícias de Janeiro de Baixo estiveram à altura do seu dever. Na ultima
guerra que se travou na península, que a paz dure para sempre. E estas
aldeias irmanadas pela sua história continuem de mão dada no caminho do
progresso.
Quando se passeia pelos caminhos rurais de horta em horta caminhos planos de
pedra rolada, sente-se essa paz e um carinho no linguajar doce, como se
saúda o viajante, parece inocente (Venham com Deus.)
Origens, e Igreja
Janeiro de Baixo, segundo Pinho Leal, Janeiro terá tido origem eventualmente
de Joaneiro ou Januário, aplica-se a Janeiro de Cima e Janeiro de Baixo,
provavelmente Janeiro de Baixo primeiro. Tem referência no catálogo de todas
as igrejas e mosteiros de Portugal, de 1320-1321 não era ainda freguesia. É
de admitir que pertencesse ao mosteiro de Arganil que Dom Fernando Pães
fundou em 1086 ao qual pertencia também a freguesia de Pampilhosa da Serra,
que confinava com Janeiro de Baixo. Depois em 1321, Janeiro de Baixo aparece
como centro religioso de uma área enorme de aquém e além Zêzere, agregando
as freguesias de Bogas de Baixo, Orvalho e Janeiro de Cima, suas anexas.
Taxada em 80 libras. Comenda da Ordem de Cristo. O vigário apresentava curas
para as três anexas: Orvalho, Janeiro de Cima e Bogas de Baixo. Tinha então
juízes de vara, e mais tarde milícia, foram seus capitães Manuel Gaspar,
Capitão de ordenanças, de que era Alferes, que vagou por morte de Gaspar
Dias, em 23-07-1761. Manuel Lopes, Capitão de ordenanças, que vagou por
morte de Manuel Gaspar, em 23-09-1779. Em 1758 Janeiro de Baixo tinha 117
fogos. Em 1625, foi ordenado ao cura João Martins, do Orvalho que faça os
assentos de casamento, baptizados e óbitos como manda a constituição, talvez
seja essa a data da desanexação desta freguesia, certo é que até ai a igreja
do Orvalho, não tinha púlpito nem baptistério. A comenda do Orvalho ainda
existia no século XVII, na visitação de 1643 ordena-se que da renda se dêem
três alqueires de azeite para a lâmpada que há-de arder ante o santíssimo.
Parece que o comendador não esteve pelos ajustes e é ameaçado de excomunhão
maior. Como não obedece ficam, sobe ameaça de sequestro os bens da comenda
pelos juízes de Janeiro de Baixo. Não se pode apurar se houve apelação.
Parece que o comendador se resolveu a pagar pois não se falou mais de azeite
e vinho. Na visitação de 1679 ainda se fala da comenda mas a partir de ai
não se fala mais da comenda. No livro das visitações mostra-se que os bens
da igreja de Janeiro de Baixo foram doados em comenda. Até prova em
contrário não é de rejeitar que tenha sido para o mosteiro de Arganil.
Reforçaram-se a partir daí em resposta à perda dos bens, os poderes das
irmandades e confraria das almas, com grande actividade, estendeu os seus
braços por toda a região de aquém e além Zêzere, nas freguesias e aldeias de
Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Orvalho, Cambas e Vilar Barroco. Não foi
no entanto muito pacífica a vida da confraria como se pode testemunhar: em
1691 o visitador levantou embargos à tramóia de a minoria dos irmãos do
Orvalho, torpedear as eleições por maneira a não dar representação à maioria
dos irmãos moradores nas freguesias dos dois Janeiros. ─ Não guardando a
igualdade que se deve guardar em boa irmandade pelo que mando que daqui em
diante na eleição dos mordomos se guarde da forma seguinte: eleger-se-á
deste lugar, um mordomo e das outras freguesias outro, e que ambas tratem
dos seus bens da irmandade conforme o seu juramento. Nos três dias imediatos
ao quinto domingo depois da Páscoa são consagrados pela igreja, desde o
século V a orações publicas e solenes, acompanhadas de abstinências e
procissões. Estas orações, chamadas rogações ou ladainhas, faziam-se em
Janeiro de Cima na segunda-feira imediata ao quinto domingo do Mês de Maio,
com a assistência dos párocos de Janeiro de Baixo e Orvalho, que lá acorriam
com os seus fregueses e as insígnias das suas paróquias. Na terça-feira,
ultimo dia das Rogações iam a Janeiro de Baixo os párocos de Janeiro de Cima
e Orvalho. Em 1755 o padre Manuel Antunes, pároco de Janeiro de Cima, enviou
ao prelado da Guarda uma petição para que fosse abolido esse costume. Disse:
─ devido ao incómodo que era em tempo de rio cheio, sem pontes para a sua
passagem, as pessoas andavam léguas. Em resposta o prelado da Guarda
perguntou qual a origem do dito costume? Em 10 de Maio de 1755 o pároco
Janeiro de Baixo e o cura do Orvalho, em ofício por eles assinado, ─
responderam: não haver memória do costume, parecendo ter nascido no tempo em
que as três freguesias faziam parte de uma só. O perlado da Guarda
despachou: ─ ponderados os inconvenientes. Que cada um faça procissões, e
rogações no limite da sua freguesia. Pertenceu às comendas do padroado real.
Em 1600 foi avaliada em 100 mil réis, em 1882 deixou de pertencer à diocese
da Guarda passando para a de Coimbra e em 1885 passou do concelho de Fajão
para o da Pampilhosa da Serra. Em 1758 tinha as seguintes igrejas: oráculo
de São Domingos. Com três altares, Altar-mor São domingos, Santa Ana e São
Caetano, em um dos colaterais, está o divino Espírito Santo, e Nossa senhora
do Rosário. Fora do lugar Santo Cristo, Brejo de Baixo Santo António, são
Jacinto no lugar do Souto, Esteiro Nossa Senhora do Pé da Cruz, Porto de
Vacas São Miguel, e Machialinho São Vicente Ferreira. No lugar da Baralha
Nossa Senhora dos Prazeres, e São Mamede do outro lado do rio, no sítio dos
chãos. Estas duas últimas capelas, Baralha e S. Mamede, ou pelo menos os
terrenos adjacentes, foram dadas em testamento em 1742 pelo senhor Manuel
Cardoso de Carvalho, dono da casa Carregal, ─ conforme escritura feita em
Coimbra nas notas do tabelião, entraram as fazendas que comprei a Raimundo
de Macedo, da vila da Lousã e metade do lagar e tapada da Foz da Baralha,
tudo rústico, e metade do chão de S. Mamede com as fazendas da capela, ao
meu tio Bernardo de Carvalho.
Património Religioso
Janeiro de Baixo é detentor de um vasto e rico património construído. A
Igreja Paroquial, recentemente recuperada, está rodeada de pitoresco
casario. É um pequeno templo, de traça simples, localizado à entrada da
povoação. A porta da fachada principal é de verga curva, dominada por uma
janela também de verga. Numa porta lateral encontra-se gravada a data -
1878, ano em que Janeiro de Baixo se agregou ao Apostolado da Oração. A
torre, de construção posterior, está adoçada ao lado direito do edifício. No
interior sobressaem os retábulos entalhados dos séculos XVII / XVIII.
Além da Igreja Matriz, Janeiro de Baixo tem ainda mais duas capelas: a do
Santo Cristo e a de S. Sebastião. Merecem ainda referência: a capela do
sítio da Baralha, (é urgente a sua reparação,) a alminha que fica à entrada
norte da povoação, assim como uma outra alminha junto ao Esteiro no caminho
antigo para o Porto de Vacas. É tradição na freguesia realizar-se um Bodo
junto à Capela de S. Sebastião, a 20 de Janeiro de cada ano. A procissão em
louvor do Divino Espírito Santo é outra manifestação da grande religiosidade
dos habitantes desta freguesia.
Actualmente a freguesia é constituída pelos lugares de Brejo de Baixo, Brejo
de Cima, Casal da Lapa, Esteiro, Janeiro de Baixo,
Machialinho, Porto de Vacas, Safra, Souto do Brejo e Vale de Abutre. Todas
as aldeias descritas nas memórias paróquias de 1758 mantêm os seus santos e
capelas, os novos lugares também tem os seus símbolos religiosos.
Património Arqueológico
Decorreu recentemente algum levantamento arqueológico na freguesia de
Janeiro de Baixo, tendo sido encontrado alguns túmulos e minas antigas,
espera-se que essa investigação continue, não é de estranhar que venha ainda
a dar mais frutos. Atendendo ao contexto destas minas há que referir que uma
delas escavada no xisto, e hoje emparedada para não haver acidentes, pode
fazer conjunto com a conheira da Cova de São Sebastião, situada do outro
lado do Zêzere quase em frente da povoação, onde, para além da exploração da
conheira propriamente dita, foi aberta uma galeria no terraço fluvial, cuja
entrada ainda hoje é visível. Em Janeiro de Baixo, o facto de ter aparecido
uma moeda do século XVIII numa das galerias não significa necessariamente
que a mina tenha laborado nesta época. Há registos também uma mina com duas
galerias junto do Brejo Fundeiro. Um caneiro de uma roda de rio, escavada
num belíssimo painel de xisto, com nervuras e cristas surpreendentes, no
sítio do açude do moinho em frente à mina de S. Sebastião, na outra margem.
Leva-nos a pensar e pela dimensão da mesma com o desgaste que apresenta
tratar-se de um antigo acento de uma roda de rio de
grandes dimensões, do tempo da exploração mineira. Foi ainda recuperado um
tronco antigo como memória dos artífices da aldeia.
Moinhos
Uma menção especial ao exemplar que se encontra na aldeia de Janeiro de
Baixo, trata-se de uma azenha temporária, escavada na rocha das margens do
Zêzere. Muito provavelmente será caso único, ou no mínimo muito raro, que
merece o nosso destaque e atenção. Em Agosto 2001, encontrava-se em bom
estado de conservação e ainda tinha moído durante o último Inverno. Existe
algum interesse nas populações em preservar e valorizar este património.
Esperemos que assim seja e que este verdadeiro monumento possa continuar a
ser admirado por todos. Há alguns moinhos e lagares um pouco por toda a
freguesia, merece também atenção o conjunto de moinhos ou o que resta deles,
na aldeia do Porto de Vacas.
Urgeiro

Foz da Ribeira de Bogas
Tomara o viajante tempo para subir ao alto do Cabeço Mosqueiro, agora com um parque de merendas de elogiar, obra de dois concelhos: Fundão e Oleiros. Ora ai está um exemplo a seguir. (Embora tenha muita pena, pelo desaparecimento dos vestígios de um antigo castro ali existente.) Lá do alto vê-se tudo, podia ainda sonhar com a queda de água a caminho do Vilar Barroco, digna de uma visita em tempo de chuva, um paraíso desconhecido a precisar de sinalética mais sugestiva.

Água d’Alta.
Umas das quedas de água mais espectaculares da Beira. Local muito acessível pode-se tocar a água sem risco nem esforço. Fica no caminho antigo de Orvalho para Vilar Barroco.
Junto à Cabeça Murada, num vale, cortado pelo afloramento xistoso da Serra do Moradal, corte de uma altura de quinze metros na vertical deixa cair em queda livre todo o caudal, da ribeira da Água Alta, inicia ai um percurso com varias cascatas até se juntar ao Ribeiro da Presa na Quinta do Moinho do Cubo, segue a sua viajem para se juntar com a Ribeira do Orvalho, no Vale das Fragosas e dai ao Zêzere muna viajem até à ponte de Cambas.
Local paradisíaco este da Água d’Alta, em estado natural sem intervenção urbanística, isso o torna num dos locais mais autênticos, um recanto da natureza. Uma zona húmida tem como esta uma luxuriante vegetação composta de Azereiro, Sanguinho, Fetos. E outras espécies mais vulgares da região. Seguindo a cordilheira encontra-se muitas cavidades e pequenas grutas, como esta com uma mesa central, a lembrar um altar tão ao jeito das lendas e contos. Onde nos sentamos junto à cascata para gravar na memória, esta música que só a água sabe compor. Fica mais um segredo, junto de outros que julgamos aqui perdidos nas grutas que os sabem guardar.
O reverendo Padre Tomaz, teve a ideia de para ali fazer caminho, ao que julgo ainda é o mesmo de hoje.
Capitão auxiliar da comarca da Guarda, cavaleiro professo na ordem de Cristo, Comissão das habilitações das três Ordens Militares, nasceu e foi baptizado em Bogas de Baixo 29.7.1745, seu padrinho: Rodrigo Vaz de Carvalho, do Fundão.





As ruas da aldeia ainda guardam parte da arquitectura das terras do xisto.
Era natural da Malhada Velha, o entalhador mais famoso das terras do xisto, o Sr. Joaquim António de Lima (Bartolomeu). Os seus filhos por razões que o destino também conhece, não deram largas ao saber que lhes legou, falam dele com ternura, o viajante cala e consente.
Malhadas de colmeias, dão mel de excelência por toda a Ribeira das Bogas. Julgava o viajante que o coelho do pote fazia parte da história. Durante a mostra de gastronomia, deste ano 2004, o senhor Hermínio, encarregou-se de provar o contrário.
Do coelho ao tinto foi um salto, a fechar a festa uma aguardente de mel, de estalo.
Sai o viajante a caminho dos Boxinos. Acena à Malhada Verde, como quem diz: verde para sempre! A ponte de pedra, velho caminho da memória, está junto da ribeira a caminho da Panegral. Outro destino, na queda de água infatigável.
Que sinfonia esta que só a água cristalina dá! Ao subir a vereda que serpenteia a ribeira das Bogas. Da Malhada Velha à ponte de pedra e de lá para a Panegral, numa tarde outonal a melodia natural ofegante da respiração junta-se à toada da água, nem sempre forte nem fraco, revoltada em cachão. Cada passo, dado ao arrepio da torrente. O viajante experimenta em cada ribeiro que engrossa a ribeira das Bogas, o mesmo carinho dos bravos que nestas aldeias moram.
Um acontecimento veio cobrar a monotonia verificou-se em 1936, uma candidata a vidente de seu nome Graciosa Luísa Catarino, de 13 anos de idade, natural da Malhada Velha, uma rapariga pastora afirma: que lá na serra da Maunça tinha visto a Sant'ana junto de uma pedra. Não tardou que as aldeias da região se deslocassem à serra para orar e ver se a aparição se repetia. Dá gozo ler os relatos feitos no jornal O Gardunha em estilo de reportagem. A pastorinha foi levada para o Fundão esteve algum tempo no colégio das Imãs Hospitaleiras e por fim, atestou-se que a pastora não podia ser levada em conta. O viajante escusa-se a relatar aqui alguns comentários que ouviu sobre este assunto mas deixo aqui uma parte da notícia do Jornal.
Jornal Gardunha, Fundão, 14 de Junho de 1936
Por altura dos Boxinos, um homem de Silvares, nosso companheiro, aponta-nos, entusiasmado, à direita da serra Maunça, o local das aparições... que não conseguimos descortinar, por detrás dum monte fronteiro a outro que é mister ainda vencer. Todavia ao longe, por aquelas encostas e cumes das serras vêm-se já pessoas em linha, na direcção de seus desejos, que são também os nossos.
Para a esquerda do lado da Enxabarda, na Eira Tença, local onde a boa, rija e patriótica gente da Beira fez pagar caro a ousadia napoleónica, vem um rancho que deve ser da Enxabarda, do Castelejo e Souto da Casa. Além, e mais além e por todos os lados daqueles montes se distinguem, já carreiros de gente, dirigindo-se para o mesmo ponto.
Do Sr. Administrador do Concelho do Fundão
Nota Oficiosa
A esta Administração chegou a notícia de que no lugar da Malhada Velha, deste concelho, se estavam passando factos extraordinários a propósito de supostas aparições de nossa senhora. A Autoridade Administrativa não podia deixar de intervir a fim de averiguar da verdade dos acontecimentos, e cônscia do seu dever, foi ela própria ao local assistir a uma dessas reuniões. Porque nada de extraordinário ali observou, a Autoridade Administrativa entendeu por bem trazer a suposta vidente para o Hospital desta vila, confiando-a aos cuidados das Irmãs Hospitaleiras, ao mesmo tempo que solicitou de algumas entidades eclesiásticas, com autoridade sobre o assunto, que interrogassem a rapariga e verificassem o que de verdade havia. Realizada esta «démarche», as referidas entidades, pelo interrogatório minucioso feito, reconheceram que se tratava apenas ou dum embuste ou duma alucinação, pois que «uma das primeiras condições exigidas para se admitir a possibilidade duma aparição é que o vidente, por criança que seja, não transmitir erros de doutrina. Ora, acontece que a suposta vidente atribui à Senhora aparecida afirmações absolutamente contrarias à verdade da fé. Não há portanto que hesitar sobre o juízo a formar do caso em questão».
Em face disto a Autoridade Administrativa, como é seu rigoroso dever não pode de forma alguma consentir que continue a fazer-se em volta deste caso uma exploração inexplicável.


Ela: A Serra da Estrela surge encantada!
Às vezes de manto até aos pés. Outras vezes mostra-se despida, uma leve nuvem tapa-lhe o rosto. Lentamente deixa cair os cabelos pela encosta. Certa manhã veste de algodão, o Zêzere tece-lhe o vestido branco até à cintura. Estende ainda o véu à Senhora das Preces, pedindo água que guarda para a dar pouco a pouco.
Majestosa senhora que miras meio Portugal.
Encantado com a Deusa a Estrela, esqueci a ribeira, que desce a caminho de Silvares e das pias no leito da ribeira onde a água brinca decantando-se de pia em pia. Dizem: que os mouros iam ali arear oiro.

Entre outros mimos da flora da Maunça, destacam-se os tufos do Bracel-da-rocha, ou Bracejo. Em Setembro já secos atingem dimensões notáveis, por todo o dorso da Maunça, dignos de se admirar assim pelo planalto como se o mundo aqui fosse só silêncio. Que prazer dá em penteá-los ao jeito de remoinho. Quantos o viajante os alindou para fotografar, depois fica o remorso da forma natural destruída, com a primavera virá mais Bracejo, para outros olhos outros pés pisar. Bracejo... o mote para abraçar toda esta montanha de amor e ódio, aqui se teceram e tece a vida amarga de pastores e carvoeiros, caminhos de mineiros, (A caminho da mina). Nunca o viajante ouviu dizer: (A caminho de casa). Esse era o retorno desejado mas... sem gloria nunca referido.
Maunça!
Tens nome de mão cheia
Vida de todas as cores
Regalo para os olhos
Solidão dos pastores
Bendita serra morena
Quantos te baptizaram
Aqui gastaram sua vida
Outros mais não voltaram
Nas tuas fragas morenas
Até um mouro chorou
Mais as tropas de Castela
Napoleão com elas sonhou
Sentiram fome na guerra
Bravura dos camponeses
Silêncio da morte lenta
Experimentaram os franceses
Agora vêem de longe
Armas de outra guerra
Moinhos de Cervantes
Erguidos na serra
Bendita serra morena
Quantos te baptizaram
Aqui gastaram sua vida
Outros mais não voltaram
Canção
D. G.

Carta do temente coronel J. Grant, dirigida da Enxabarda ao coronel d’Urban Benjamin, em 2 de Fevereiro de 1811:


(1) Tinha Razão no dia 4 de Fevereiro enviou outra carta e adiantou que no dia 2 acharam-se mortos duzentos e sete do inimigo, entre eles dois coronéis, no espaço de quatro léguas parte dos quais morreram em consequência de feridas e da inclemência do tempo.

Tumulo do General D,Urban
Napoleão não tem contacto com as tropas de Massena, nos vales de Santarém frente ao inimigo e às linhas de torres, sabe Napoleão notícias pelos jornais ingleses e tenta levar reforços às suas forças.

Lamentou mais tarde o Barão Marbot, nas suas memórias:


D. Diogo da Silva, Arcebispo de Braga e Inquisidor Mor, de Aldeia Nova do Cabo, filho de João Gomes da Silva, (irmão ?) de Braz da Silva, comendador do Castelejo.
Diogo
Gomes da Silva, 1º senhor da Chamusca, c. 1350
Rui Gomes da Silva, 2º senhor da Chamusca, c. 1400
João Gomes da Silva, 3º senhor da Chamusca, c. 1450
Francisco da Silva, 4º senhor da Chamusca e Ulme, c. 1480
A comenda do Castelejo dominava um vasto território, que se estendia em grande parte pelas terras que o hoje visitamos.
Agora, no santuário da maior romaria da Beira - Santa Luzia. Não tem a harmonia da rua central, mas este santuário dá para meditar.


Talhada a esperança
que trazes nos olhos
menino de oiro
no adro de Santa Luzia.
Que doce amargo trago eu
da romaria!...
Santa Luzia 2004

FIM
Bibliografia
Os poemas não identificados são populares, excepto o poema: Saúdo-te com Tambores, Maunça, são do autor destas notas.
Fundão, 2004 Tem no entanto sofrido algumas alterações, com a adição de mais informação quando se justifica.
O autor deste trabalho
agradece, qualquer comentário ou sugestão:
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